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Debaixo do asfalto e do concreto da cidade há muitos vestígios de antigamente, que retratam a vida de nossos antepassados. A arqueologia urbana traz à luz diversos objetos que desvendam e contam a história da cidade, às vezes distante, às vezes mais próxima de nós. Quase ninguém sabe, mas São Paulo tem mais de 130 sítios arqueológicos e ainda há muitos por serem abertos. 

Em 2010, devido a uma obra pertinho da ponte da Eusébio Mattoso, sobre o Rio Pinheiros, no bairro de mesmo nome, foram descobertos vestígios de fornos e potes de barro que trazem novas contribuições a respeito da história desse bairro paulistano da Zona Oeste. Mais de 50 mil peças foram coletadas durante as escavações,  além de identificados oito restos de fornos, no que se chamou de Sítio Arqueológico Pinheiros 2.
A Essa antiga olaria foi encontrada quando uma construtora contratou o estudo arqueológico, antes de iniciar as obras de seu empreendimento, localizado entre as ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme.
Em função de suas características, os arqueólogos acreditam que as louças encontradas foram produzidas há mais de 200 anos e atendiam tanto ao consumo da cidade como a regiões mais distantes e que a olaria que devem ter produzido pelo menos 10 mil objetos de cerâmica, ao longo de 100 anos. Havia muita argila próxima ao Rio Pinheiros e a então facilidade do transporte fluvial também reforça a ideia de que a produção era escoada para outros lugares.
 
No geral, as peças eram de boa qualidade, com cerâmica branca e regular. Apesar do formato europeu, algumas das leiteiras, frigideiras e potes apresentavam padrões de decoração indígenas e africanos, o que indica que a mão de obra era diversificada – se era escrava ou não ainda não se sabe.
 
“Não sabemos se as louças eram só para consumo local, mas sabemos que havia distribuição. Nada impede que essa olaria tenha produzido potes que chegaram com os bandeirantes no Mato Grosso ou na Amazônia”, diz Paulo Zanettini, proprietário da empresa de arqueologia encarregada do projeto.
 
Disseminando o conhecimento
A divulgação dos resultados das escavações à população será por meio de um programa educativo que conta com a exposição itinerante “Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros”. Simultaneamente, os pesquisadores realizarão oficinas, palestras e rodas de conversa em escolas, ONGs e espaços públicos do bairro.
A exposição utiliza uma tecnologia inovadora, permitindo que os visitantes manipulem réplicas das cerâmicas e brinquem com modelos virtuais 3D. Além disso, será possível ter uma ideia de como era a olaria e a região no passado, a partir de reconstituições gráficas e computadorizadas por meio da chamada Realidade Aumentada, técnica que combina elementos virtuais com o ambiente real.
“Somos arqueólogos e falamos do mundo através das coisas, e nada melhor do que poder pegar os documentos na mão”, diz Zanettini.
 
Em formato itinerante, a mostra circula pelo bairro de Pinheiros durante os meses de setembro e outubro.
Ela está dividida em dois módulos: no primeiro há um ambiente imersivo voltado a apresentar como foi feita a pesquisa.
No segundo são descritas as peças encontradas, técnicas de fabricação e sua utilização, sendo estabelecido um diálogo com os antigos oleiros e oleiras que ali trabalharam.
As peças encontradas são descritas, juntamente com as técnicas de fabricação e sua utilização, mostrando também como eram esses trabalhadores.
É possível, ainda, baixar um aplicativo para conhecer todo o processo e a exposição, além de visualizar a própria exposição no site da Zanettini.

Veja as informações abaixo e bom passeio ao passado!
http://www.zanettiniarqueologia.com.br/olaria-metropole.html
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2014/09/tecnologias-de-ponta-abrem-novas-possibilidades-para-exposicoes-arqueologicas.html
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,arqueologos-acham-vestigio-de-olaria-em-pinheiros,1566866
 

É possível baixar na App Store o aplicativo da exposição
 

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